sábado, 1 de setembro de 2012

BRINCANDO A MODA ANTIGA

(Por Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida)
O brincar a moda antiga é uma alternativa diferente de viver o presente, pensar no futuro e resgatar as tradições lúdicas do passado. Quando começamos a estudar sobre os jogos antigos, começamos a entender a magia e a alquimia contida em cada um deles: suas possibilidades de transformação, de adaptabilidade, de educação, de socialização e suas possibilidades cognitivas. Os jogos e brinquedos apresentados nos mais diferentes livros são resultados das mais diferentes experiências culturais humanas e nos mais diferentes contextos históricos. (ALMEIDA, M.T.P, 2004)
Pião de corda
Os jogos tradicionais têm estado sempre presentes, em todas as épocas e culturas, sendo uma das principais coordenadas da vida humana. O jogo e o brinquedo e a sua relação com a nossa vida, e parte do nosso patrimônio lúdico. Atualmente o brincar passou a ser um tema de grande relevância para estudiosos e curiosos. No Brasil e no mundo, os jogos tradicionais tornaram-se importantes no cotidiano, com o seu grande dinamismo e sua adaptabilidade ao tempo e aos espaços, revelando-se como uma potencialidade lúdica incomparável. O jogo tradicional tem sua energia própria e uma magia que teima e resiste às normas e formas impostas pela sociedade, já que se enraíza nas culturas locais onde mora a verdadeira essência humana. Os jogos e brinquedos antigos não aceitam definições prévias, preconceitos ou reconhecimentos abstratos. A sua legitimação encontra-se na dimensão histórica e cultural dos comportamentos e no vinculo aos elementos de uma data situação.
Os jogos e brinquedos são marcados por uma identidade particular, isto é, a identidade do contexto cultural em que a ação lúdica se realiza. Mas isto não significa dizer que o jogo e o brinquedo não estejam abertos aos múltiplos e diversos cruzamentos de culturas, porque eles não são uma entidade descontinua, imutável, finita, sem capacidades de reestruturação permanente, como às vezes e erradamente eles têm sido apresentados, com uma visão reduzida e substantiva do mundo. Podemos dizer que o jogo e o brinquedo têm contido neles os mais diferentes elementos e valores que são suas virtudes e os seus pecados. Virtudes, porque na essência, eles são constituídos de princípios generosos que permitem a revitalização permanente. Pecados porque o jogo e o brinquedo podem ser também manipulados e desviados para as mais diferentes finalidades ou objetivos podendo, comprometer a verdade.
A pluralidade cultural para nós é entendida como a convivência em um mesmo espaço de pessoas procedentes de diferentes culturas, é um fato presente em nossa sociedade atual. Está diversidade, longe de significar uma ameaça é a própria identidade cultural. Muito pelo contrário, a pluralidade cultural pode favorecer e enriquecer a nossa cultura e se converter em um fator positivo para o desenvolvimento de indivíduos e sociedades. As escolas que acolhem imigrantes ou alunos de minorias culturais se convertem em um lugar de encontro onde compartilham experiências meninos e meninas de diferentes etnias. Suas relações na escola com outras crianças marcarão sem duvida as relações em outros âmbitos como: a família, a comunidade e a cidade.


O objetivo que devemos buscar como educadores não deve ser a integração da cultura minoritária com a cultura majoritária se isso leva a renúncia da cultura minoritária a seus próprios padrões culturais e sociais. Tão pouco podemos propor o conhecimento das diferenças e o respeito das mesmas sem favorecer uma inter-relação entre ambas as culturas, entre pessoas de distintas culturas. Nosso objetivo principal como educador deve ser que ambos os grupos, majoritário e minoritário, alcancem uma interdependência baseada em respeito, na valorização e no reconhecimento mútuo que favoreça o enriquecimento comum.
Este ambicioso objetivo é válido tanto para escolas que recebem alunos de minorias culturais como para outras que somente tem alunos de uma mesma etnia. Em ambos os casos, partirão de um conhecimento das manifestações culturais das mais diferentes etnias, eliminando prejuízos e preconceitos, para ir, pouco a pouco, descobrindo as diferenças e semelhanças e estimulando um intercâmbio que possibilite inúmeras ações comuns. Um dos principais pontos em comum dos meninos e meninas de diferentes culturas é o BRINCAR. O jogo, brinquedo e a brincadeira são um meio que as crianças aprendem as normas culturais e os valores de uma sociedade. Os diferentes tipos de jogos que os meninos e meninas praticam são um reflexo da cultura em que vivem.
Devemos estimular a pesquisa de jogos de diferentes países e culturas com o fim de que sirva como recurso em uma aula, resgate e manutenção da cultura lúdica. Desta maneira, podemos selecionar jogos e brinquedos de diferentes lugares do mundo e introduzi-los convenientemente estruturados nas aulas, permitindo assim, que os nossos alunos tenham acesso a outras formas de brincar.

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